Título: O Movimento Operário em Portugal.
Autor: Campos de Lima.
Editora: Afrontamento. Maio de 1972,2ª Edição.
Impressão: Litografia Miranda e Rosa.
Páginas: 136
Classificado na temática: O Trabalho – Movimento Operário.
O livro O Movimento Operário em Portugal, de Campos Lima, publicada pela primeira vez em 1910, é uma dissertação, apresentada na cadeira de Ciência económica, no ano letivo de 1903-1904, na faculdade de Direito, sobre a história e evolução do movimento operário português.
Índice
O autor refere a complexidade do tema e as dificuldades encontradas na elaboração do trabalho, que teve que ser feito com limitações de tempo e recursos. Divide o estudo em duas partes:
Aspeto económico – Aborda a situação dos trabalhadores, as condições de trabalho e os impactos da organização social na classe operária.
Aspeto político – Analisa as lutas operárias, a oposição à classe burguesa e a influência do socialismo, anarquismo, sindicalismo revolucionário e do pensamento do movimento. Da Bibliografia de apoio ao livro constam obras de conhecidos anarquistas como Kropotkine, Elisée Reclus, Jean Grave.
Campos Lima enfatiza que o movimento operário está ligado à transformação social e que a sua coesão depende dos ideais revolucionários. O Autor também admite que a obra apresentada possui lacunas e limitações, mas reforça a intenção de ter realizado um estudo honesto e bem fundamentado sobre a luta dos trabalhadores em Portugal.
Em esclarecimento à edição de 1972, César Oliveira refere que «um dos problemas mais importantes para o estudo do movimento operário em Portugal é o de procurar determinar as influências ideológicas nele determinantes, procurar saber quando, como e porquê foram adotadas difundidas correntes ideológicas determinadas (socialismo, anarquismo, sindicalismo revolucionário)».
Quem foi e que pensamento professava, Campos Lima?
João Evangelista de Campos Lima (Porto,? — Lisboa, 15-3-1956), professor, jornalista, escritor e advogado, foi um dos mais destacados libertários portugueses( de tendência anarquista), fortemente engajado na organização e ação do movimento operário português. Enquanto ainda estudante teve um papel destacado na greve da Universidade de Coimbra (1907), em virtude da qual, conjuntamente com Pinto Quartim e outros,foi expulso, escrevendo então o livro a “Questão da Universidade - Depoimento de um estudante expulso” (Coimbra, 1907)
Colaborou, tanto em Coimbra, como em Lisboa, em diversas revistas e jornais. A título de exemplo, entre muitos outros, o jornal anarquista «A Batalha», mas também «O Século» e o «Diário de Noticias». Fundou o Núcleo de Educação Anarquista (1906), que editava o Jornal Anarquista "A ÉRA NOVA".
Nos anos vinte dirigiu a sua própria editora Spartacus, cujas publicações eram por ele mesmo compostas e impressas e que em Portugal divulgou, entre outras, a obra de P. Archinoff sobre o anarquismo ucraniano de Nestor Makno.
Da vasta obra, literária e social, de Campos de Lima, destacamos:
- A Questão Social (Coimbra, 1906) - leia.
A Teoria Libertária ou o Anarquismo (Lisboa, 1926) - leia.
Quanto à data de nascimento de Campos Lima, o Blogue Almanaque Republicano, onde foi abordada a questão da data correta do seu nascimento, face às fontes de informação disponíveis, não retirou certezas, dando-a como inconclusiva e em estudo.
Campos Lima foi, enquanto estudante em Coimbra, iniciado na Maçonaria na Loja Fernandes Tomás, da Figueira da Foz, em 1906, com o nome simbólico de «Kropotkine» (importante anarquista russo). Com a ida para Lisboa, em 1908, foi admitido na Loja Montanha (ao que se diz com ligações, à época, à Carbonária), de onde saiu para fazer parte do quadro que fundou a Loja Paz. Loja à qual pertenceu outro prestigiado anarquista, Sobral de Campos (fundador do Partido Comunista Português) e mais tarde, ainda, um outro importante oposicionista à Ditadura Militar e ao Estado Novo, o Major Piloto Aviador Sarmento Beires. Esta loja do Grande Oriente Lusitano Unido, defendia e redigiu um programa socialmente progressista, muito próximo do anarquismo e do sindicalismo revolucionário.
Muito ainda se poderia dizer e escrever sobre a atuação e pensamento de Campos de Lima, nomeadamente a sua também ligação a projetos ligados à Educação, tema muito caro ao movimento anarquista, cabendo ao leitor interessado efetuar essa procura.
Fontes consultadas: Portal Anarquista, Blogue Almanaque Republicano, Fundação Mário Soares.
Visite e siga a ...
B.M.R. - Biblioteca Memória e Revolução.
Blog: lugardolivro2024.blogspot.com
facebook:BMR@bmr.998810
Mail: bibliotecabmr.2024@gmail.com






Sem comentários:
Enviar um comentário