O livro
É um objeto transportável, ou um suporte digital, composto por páginas, encadernadas no caso do livro físico, contendo texto constituindo uma publicação unitária ou a parte de um trabalho, formando um volume.
Produto de natureza intelectual, encerra conhecimento e expressões individuais ou coletivas, mas é simultaneamente também um produto de consumo, e um bem, transacionado em mercado
É nos dias de hoje um produto que envolve um complexo e diversificado processo de fabrico e distribuição, com variados intervenientes até chegar ao leitor. O Autor criador do conteúdo, o Editor que o projeta e concebe como produto comercial, o Impressor que trata da impressão em papel, o Designer da conceção gráfica, o Distribuidor que se encarrega de fazer chegar ao Livreiro o livros a serem vendidos no mercado.
A história do livro está associada à das inovações técnicas, das ideias, das religiões, e por fim ligada às condicionantes político-económicas.
A criação da escrita trouxe consigo o caminho para o texto e para o livro. A escrita, é um sistema e um código capaz, através palavra, transmitir e conservar ideias e valores. Os primeiros suportes físicos usados para a escrita terão sido tábuas de argila ou de pedra em escrita cuneiforme, criada pelos Sumérios em 3,200 a.C.
Mais tarde o Egito, a Judeia, Grécia e Roma trouxeram-nos o Khartês , o conhecido cilindro de papiro, escrito na vertical, que podia ter várias obras, daí o termo Tomos. O comprimento total de um papiro, material de origem vegetal, podia atingir 6 a 7 metros de comprimento e 6 cm de diâmetro.
Aos poucos o Pergaminho, excerto de couro de origem animal, que apresenta vantagens de conservação ao longo do tempo, tem origem em Pérgamo, na Ásia Menor, foi substituindo o papiro. O Códex, compilação de páginas, surge entre os gregos ,substituiu por sua vez o Khartês, e tem na sua génese a codificação das leis. Uma das principais consequências do aparecimento do Codex foi o de pensar o livro como objeto e no formato como hoje o conhecemos.
A Idade Média, não obstante alguns episódios que obstaculizam a divulgação o conhecimento, o livro, enquanto objeto regista significativa evolução. Como aspetos mais relevantes do período, destaca-se:
- o aparecimento dos monges copistas, que se dedicavam a maioria do seu tempo a reproduzir obras, tornando os mosteiros centros de conservação e divulgação da cultura da Antiguidade (quem não se lembra da narrativa ficional do livro “O Nome da Rosa)
- o livro evolui na sua estrutura e apresentação, surgem as margens de folha , as páginas em branco, o uso de letras maiúsculas e pontuação, os índices, sumários, resumos, e as primeiras classificações por género.
- o papel substitui o pergaminho.
Mas a mais importante evolução deve-se ao avanço tecnológico, com a invenção da técnica da impressão, que trouxe consigo uma verdadeira aceleração e revolução cultural, e que se deve a Gutemberg (1400–1468). Esta poderosa invenção, ocorrida em finais da Idade média início da moderna, trouxe consigo a enorme redução dos custos de produção, o aumento e expansão da oferta por via da produção em série, que alcança novos públicos e divulga conhecimento a variados níveis e valências. Com toda esta transformação assiste-se igualmente ao desenvolvimento da técnica da tipografia (com ele o da caligrafia ao nível do tipo de letra, e tamanho, usados na impressão), onde se destacou o italiano Aldus Manutius (1449- 1515), a quem se deve muito do que hoje se pode chamar de design gráfico (criou o tipo letra Itálico). O trabalho de Manutius é de estrema importância ao padronizar o tipo de letra, democratiza a leitura e com ela a divulgação da palavra escrita. Desde então o livro, enquanto objeto, tem mantido um certo padrão na forma e na estrutura de apresentação e que só em prelo século XX e XXI por via do digital volta a vivenciar uma forte alteração, surge o livro eletrónico e um processo de desmaterialização e de transformação de técnicas de produção e apresentação, mas também de visualização e hábitos de leitura, sendo uma das mais curiosas é a de que a leitura em papel é cerca de 1,2 vezes mais rápida que em suporte digital.
O que será o livro do futuro continua a ser um caminho e um projeto aberto , mas afinal não tem sido sempre esse e o caminho e a História do Livro?